dez mulheres suicidas

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Alguém julga esse porquinho?

Ele era um porco. Com tudo que tem direito. Não, não era sujo não, era um porco mesmo. Quando criança achava que era um palhaço. E vivia como. Mas aí cresceu e se descobriu um porco. No início tentou fortemente se livrar daquela roupa pesada, se esquivou do mundo, achou que ia acabar sendo cruel e um porco infeliz. Traços da juventude que ainda guardava? Foi que acabou cedendo às pressões mundanas, vida no escritório e secretária da mini-saia, coxa grossa e perna cabeluda em quase sua mesa. Sou um porco, um porco selvagem. Tenho certa preguiça de não ser. E vivo. Não é que eu também saiba andar de pé, eu virei porco depois. Às vezes quero mesmo minimamente chafurdar na lama, comer daquela comida, não reclamo não. Quem me julga é besta. Felicidade de porco é curiosa, minha carne é saborosa, ando sempre com um meio sorriso que não vejo muito por aí. As questões humanas guardo no peito, o que pensa? Acho bunito, respeeito ... Também deixei aquela menina, amor ingênuo, pra quê aquilo tudo? O que vier vem de outra forma, mais dinâmico, mulher mais desprendida, menos preocupada em ser mãe. Não penso no futuro, pagamento fecha o mês, banco minhas pequenas mordomias: video game e dvd pirata, revista erótica e fita pornô, pizza em casa e louça descartável. Um dia vou passear em Paris ou na Disney. Quem consegue?

Um comentário:

Anônimo disse...

Esse é ótimo!!! Se esses porcos não existessem o mundo seria melhor!
Malditos sejam!