Ele era um porco. Com tudo que tem direito. Não, não era sujo não, era um porco mesmo. Quando criança achava que era um palhaço. E vivia como. Mas aí cresceu e se descobriu um porco. No início tentou fortemente se livrar daquela roupa pesada, se esquivou do mundo, achou que ia acabar sendo cruel e um porco infeliz. Traços da juventude que ainda guardava? Foi que acabou cedendo às pressões mundanas, vida no escritório e secretária da mini-saia, coxa grossa e perna cabeluda em quase sua mesa. Sou um porco, um porco selvagem. Tenho certa preguiça de não ser. E vivo. Não é que eu também saiba andar de pé, eu virei porco depois. Às vezes quero mesmo minimamente chafurdar na lama, comer daquela comida, não reclamo não. Quem me julga é besta. Felicidade de porco é curiosa, minha carne é saborosa, ando sempre com um meio sorriso que não vejo muito por aí. As questões humanas guardo no peito, o que pensa? Acho bunito, respeeito ... Também deixei aquela menina, amor ingênuo, pra quê aquilo tudo? O que vier vem de outra forma, mais dinâmico, mulher mais desprendida, menos preocupada em ser mãe. Não penso no futuro, pagamento fecha o mês, banco minhas pequenas mordomias: video game e dvd pirata, revista erótica e fita pornô, pizza em casa e louça descartável. Um dia vou passear em Paris ou na Disney. Quem consegue?
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Um comentário:
Esse é ótimo!!! Se esses porcos não existessem o mundo seria melhor!
Malditos sejam!
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