dez mulheres suicidas

domingo, 13 de maio de 2007

Eletrodomésticos

                     
                  Não mexa nos meus eixos. Assim é mais seguro. Se for pra me matar de alegria talvez eu permita, acredite e conceda. Mas no dia em que você, por conhecer-me, desejar me destruir, questionarei cada um dos raros orgasmos que você foi capaz de provocar em mim. Aí meu amor, tudo perde a cor. É uma pena. Quanto tempo duram as tardes à toa, a delícia da vida, a brisa no ventre? Eu sei que dói. Admito e sinto. Mas recuperar-se é um processo divino meu amor. E aí você fica pequeno, as músicas voltam a resoar no peito e as pessoas são tão sexuais. Não é porque eu encontei alguém não, é porque eu sou eu, entende?
                  E o que quer dizer destruir? Morrer. Mas se eu morro como aquela sua antiga mulher com quilos a mais, três meses sem cuidados de beleza, três meses sem gozar, frieira no pé, felicidade branda, beijinho no pescoço e dormir no seu peito, posso reconstruir-me como qualquer outra. Posso ser a Claudia Raia. Caralho sempre achei ela medonha, mas não é pela pessoa é pela liberdade. Vou sair correndo, vou cuidar de mim, brincar de cantar o trocador, mesmo que isso seja um comportamento nunca dantes imaginado. E você, peito seguro de minhas noites paranóicas vai bater uma punheta pra menina de 15 ou dormir com uma mulher gostosa. Admito que morro de pensar e quase volto a chorar triste como no domingo, ontem. Ai. Mas preciso experimentar. Experimentar é tão bonito. Só a palavra é tão linda. Cria em mim uma alegria, uma estréia. Se vivo com você há bilhões de anos nos esquecemos da possibilidade de estreiar, de tomar Champagne de vernissage. Aí é golpe baixo porque qualquer mulher é melhor que eu. Não valem as minhas leituras nem a minha forma de chupar seu pau que é do jeitinho que você gosta. Na estréia mulher pode até meter os dentes só porque é novidade. Mas onde deixamos de querer coisas novas conosco? Não venha me culpar pelas calcinhas rasgadas, mulher nenhuma vive sem elas, nem mesmo sem comer brigadeiro. Sou gente, sou eu. E você também deixou de me presentear, não trouxe novas roupas de baixo, não me sonhou num corpo vermelho. Você em algum momento se foi, deixou de querer-me, não me avisou.
               E agora ando me culpando pela rebeldia leve de quem deseja ser: gritos e palavras demais. Justifico tudo, se você entendesse ou esquecesse mesmo, construiria tudo aquilo que era prudente pra mim. Não sou prudente, nem coerente, nem uma só. Acredito que vivo, que dói e que deve passar.
















Um comentário:

Anônimo disse...

Pegue logo o Fragmento de um discurso amoroso do Barthes.

Outra coisa: se divertir dando em cima do trocador? Adorei.
Então, passeio pela orla na semama que vem?
hang loose!