dez mulheres suicidas

sábado, 30 de junho de 2007

Baús e cacarecos

Baús e cacarecos

E agora você vem me falar do seu baú. Pensa bem, pensa grande, vê lá se isso são horas de remexer em feridaantiga, nem passa do meio dia e esse trabalho de merda a cada minuto torna-se mais infernal, e pra piorar o barraco, o gerente hoje não só deu as caras, como está com a corda toda. E aí, chega você num corpete pérola (preciso te dizer, lindo) com seu ponto forte, teus peitos a mostra, abre esse sorriso largo e me diz: saca um baú? e eu ingênuo digo que sim. Pronto. Da tua boca começam a sair tufões, e eu ali despreparado, ouvindo que baú de guardados quanto mais se arruma mais coisa se encontra pra mexer, restaurar, arrumar ou até mesmo jogar fora e coisa e tal. Começa a despejar uma série de questões, numa velocidade sempre tua, sempre a mil, a dez mil por hora e, no meio dessa tua dor velada eu vou me vendo, me enxergando, me reconhecendo também... Sei lá a dor é tua, mas eu também tenho dores e, assim de perto, pertinho, tudo fica tão comum, tão parecido, tão humano. Nada sei da tua vida, a não ser o que você conta, revela; o que te escapa, mas assim, nessa “convivência” dos infernos, sob esse concreto que nos achata, há alguém que escuta teus mudos gritos.

Um comentário:

Anônimo disse...

até eu consegui ouvir teus gritos