dez mulheres suicidas

sábado, 28 de julho de 2007

400km

Vou escrever rio. Nada de muita filosofia, muita poesia, muito pensamento...Como água que se conforma com tudo, quero escrever-aí, ser-aí, nesta hora. Falando nela, senhora insolente e implacável, chrónos corre e você corre também. Pra mim. E eu pra você. Nem adianta argumentar - veja bem que a hora nem é essa: de argumentos, raciocínio ou lógica – que você está uns 400km daqui e que, na verdade, estará em breve muito mais distante que isso. Porque no fluxo, só o que sinto constitui o real e o que sinto bem agora, é que você está comigo. Preciso dizer, confessar, mesmo que isso me custe caro mais tarde, dormimos juntas tem um tempo, levei você pra passear no domingo e, desculpe algum transtorno, mas andamos diariamente de barca. Ou catamarã. E lá, principalmente à noite, comungamos. E confessamos mais de nós que o nosso tamanho. Chama-se juventude o período da vida de um rio em que ele ganha mais água do que perde. E eu sempre achei esse nome (do rio menino) muito poético, bonito mesmo. Não contava que há essa altura da vida (alguma bagagem, sem filhos, algumas dores que acordam quando vira o tempo, alguns sonhos e muitas gavetas) fosse costurar amor de bordadura fina e delicada. Estampando na frente um lindo rio. Que corre sim, mas não perde água nenhuma.

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