dez mulheres suicidas

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Dejavu

Sentada na calçada
Em dia de sol azul
Praticando o silêncio

Tentando fazer pose
De quem sabe

On the rocks for ladies

Princesinha de rosa
Decodificadores

Tem hora?
Com hora?

Parece que sei quem vc é...
Eu não

É preciso estabilidade pra viajar
Perspectivas e sonhos
Felicidade doméstica

The key
Someone give me the key

And a passport
A one way ticket

Uma bolsa cheia de coisinhas

Adoro coisinhas
Essas e aquelas coisinhas

Dejavu
Deixa vir

*****

Essa febre esquisita que não me diz muito a que veio. Talvez não saiba mais ler os sinais de seu próprio corpo. Disposição que podia ter é escolhida. Recantos de um sofá e gatos. O tempo que estanca corrido pra nos dar um tempo inexistente pra pensar no que fazer ou não. Que também é fazer. Nada que seja. Muitas histórias pra contar e pra acontecer-fato; Calendários de dias que não são vividos de medos que insistimos em ter, mesmo quando só fazem parte de uma imaginação que nunca se pretenderá verdadeira. Será que você me entende? E eu?
Os jornais formam pilhas que impedem a música do piano sair. A porta... não sei bem dizer o que ela significa já que está sempre fechada. Não sei o q dizer sobre ela. Mais uma vez invento coisas que não precisam existir.
Novidade é que temos um mundo, uma vida e todas essas coisas de previsões lidas quase que diariamente no horóscopo do jornal que não falta nunca. E lê-lo (o jornal) não necessariamente quer dizer se manter informado. Ás vezes ele funciona como... como uma etapa a ser cumprida do seu dia pra ele (o dia) se tornar menos vazio. Como agora. Infinitas possibilidades... E eu posso levantar e caminhar sem que pra isso precisemos de um milagre, não é, meu amor?
A secretária já não existe mais e o telefone não atendido ignora as pessoas. Quem será que são elas e o que elas querem com as gentes?
23 casas e nenhum lar. Há alguns anos que insisto em perder esperando...Godot. Não preciso discorrer muito sobre isso, pois esperar Godot explica tudo.
Me afasto de todas as coisas de que preciso de uma forma não muito honesta; nem comigo nem com as pessoas. E essas palavras que mantém tudo às incógnitas é porque ou querem dizer tudo, e assim as abrangem ou não querem dizer nada, e assim as abrangem também. Tão fácil simbolizar a falta do que dizer, do que sentir, do que não pensar e principalmente do que não fazer: coisas, tudo, o mundo, então, enfim, é isso aí, maneiro, eu também, podes crer e etc ou reticências ...
Sigo uma forma de fazer as coisas muito maligna pra mim mesmo: nunca completo as etapas. Tenho horror a isso! (a não completá-las, insisto em esclarecer) Mas sempre acontece. Como agora. Já não quero mais continuar, porque não quero entrar neste assunto. Vou começar uma outra coisa e deixá-la pela metade. Como sempre faço. Que é porque não tenha coragem de ir até o fim ou por ter aquele medo, que invento, de que o fim exista para as coisas. Mais uma vez Godot explica tudo...

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Alguém julga esse porquinho?

Ele era um porco. Com tudo que tem direito. Não, não era sujo não, era um porco mesmo. Quando criança achava que era um palhaço. E vivia como. Mas aí cresceu e se descobriu um porco. No início tentou fortemente se livrar daquela roupa pesada, se esquivou do mundo, achou que ia acabar sendo cruel e um porco infeliz. Traços da juventude que ainda guardava? Foi que acabou cedendo às pressões mundanas, vida no escritório e secretária da mini-saia, coxa grossa e perna cabeluda em quase sua mesa. Sou um porco, um porco selvagem. Tenho certa preguiça de não ser. E vivo. Não é que eu também saiba andar de pé, eu virei porco depois. Às vezes quero mesmo minimamente chafurdar na lama, comer daquela comida, não reclamo não. Quem me julga é besta. Felicidade de porco é curiosa, minha carne é saborosa, ando sempre com um meio sorriso que não vejo muito por aí. As questões humanas guardo no peito, o que pensa? Acho bunito, respeeito ... Também deixei aquela menina, amor ingênuo, pra quê aquilo tudo? O que vier vem de outra forma, mais dinâmico, mulher mais desprendida, menos preocupada em ser mãe. Não penso no futuro, pagamento fecha o mês, banco minhas pequenas mordomias: video game e dvd pirata, revista erótica e fita pornô, pizza em casa e louça descartável. Um dia vou passear em Paris ou na Disney. Quem consegue?
Conversando no ônibus com você vi que se tivesse sentada no banco de trás ouvindo aquele papo, ia desejar profundamente estar dentro dele. Entendi um prazer novo. Olha, como eu tive que descer, e o motorista cagou pra minha gargalhada, arrancou e saiu depressa, te digo: acho que é mais fácil dar um jeito de pegar a senha de e-mail, economiza esses processos. Ah! E quando você disser que tem um bafão pra me contar não venha com a lembrança repentina mais forte da sua vida, pô bicho, não sei se tô preparada pra falar uma coisa legal, achei que era uma futilidade mais. 
Beijo, não falta amanhã! 

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Meteorologia

Como um raio; um assombro. Num átimo de segundo, no pequenino espaço entre o que é e o que não é mais, naquela dobra temporal que de tão rápida, parece sempre, já não é, já não é, já não é.... Uma iluminaçao pesou-lhe inteira na cabeça.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Epístola a Ele

Se existir algum modo de amor possível para nós será este, baby. Pois só assim teu pau murcho não me ofenderá e poderei pensar apenas nas tuas palavras. Que sempre foram e, você bem sabe, lindas, lindas... Se você trepasse do jeito que faz poesias.....eu tava fudida.

Pra Mim

                No nosso blog, (que chique) que está aí agora para  materializarmos, apenas  virtualmente, algumas mortes, despejemos neste plano qualquer tipo de  euforia nevrálgica. Essa será nossa válvula de escape. Noutros lugares, sabemos ser elegantes e o sorriso teatral e sincero (p q não?) é mais  interessante. Acho que devemos buscar no (ir)real (risos) os prazeres que aliviam tais dores: amigos, cinema, teatro, música, música pra dançar,  histórias pra contar e trepadas avulsas, sim - elas tb ajudam se forem bem  escolhidas. Deixe as expectativas de lado,obviamente - Mais um pouco de  entorpecentes em estado líquido ou SUBLIME (ver definição 4 de 'sublimar' do  mini Aurélio. Adorei!). Afrouxa o sorriso. E... FOCO! Vc têm coisas a fazer. Pelo menos acho que tinha entendido assim.  Mandou a tal carta pra Espanha? Olha lá, hein! Tô te observando. De minha parte, me comprometo a arranjar as distrações, ok?
   Sin perder la ternura jamais... Beijos.

domingo, 13 de maio de 2007

Eletrodomésticos

                     
                  Não mexa nos meus eixos. Assim é mais seguro. Se for pra me matar de alegria talvez eu permita, acredite e conceda. Mas no dia em que você, por conhecer-me, desejar me destruir, questionarei cada um dos raros orgasmos que você foi capaz de provocar em mim. Aí meu amor, tudo perde a cor. É uma pena. Quanto tempo duram as tardes à toa, a delícia da vida, a brisa no ventre? Eu sei que dói. Admito e sinto. Mas recuperar-se é um processo divino meu amor. E aí você fica pequeno, as músicas voltam a resoar no peito e as pessoas são tão sexuais. Não é porque eu encontei alguém não, é porque eu sou eu, entende?
                  E o que quer dizer destruir? Morrer. Mas se eu morro como aquela sua antiga mulher com quilos a mais, três meses sem cuidados de beleza, três meses sem gozar, frieira no pé, felicidade branda, beijinho no pescoço e dormir no seu peito, posso reconstruir-me como qualquer outra. Posso ser a Claudia Raia. Caralho sempre achei ela medonha, mas não é pela pessoa é pela liberdade. Vou sair correndo, vou cuidar de mim, brincar de cantar o trocador, mesmo que isso seja um comportamento nunca dantes imaginado. E você, peito seguro de minhas noites paranóicas vai bater uma punheta pra menina de 15 ou dormir com uma mulher gostosa. Admito que morro de pensar e quase volto a chorar triste como no domingo, ontem. Ai. Mas preciso experimentar. Experimentar é tão bonito. Só a palavra é tão linda. Cria em mim uma alegria, uma estréia. Se vivo com você há bilhões de anos nos esquecemos da possibilidade de estreiar, de tomar Champagne de vernissage. Aí é golpe baixo porque qualquer mulher é melhor que eu. Não valem as minhas leituras nem a minha forma de chupar seu pau que é do jeitinho que você gosta. Na estréia mulher pode até meter os dentes só porque é novidade. Mas onde deixamos de querer coisas novas conosco? Não venha me culpar pelas calcinhas rasgadas, mulher nenhuma vive sem elas, nem mesmo sem comer brigadeiro. Sou gente, sou eu. E você também deixou de me presentear, não trouxe novas roupas de baixo, não me sonhou num corpo vermelho. Você em algum momento se foi, deixou de querer-me, não me avisou.
               E agora ando me culpando pela rebeldia leve de quem deseja ser: gritos e palavras demais. Justifico tudo, se você entendesse ou esquecesse mesmo, construiria tudo aquilo que era prudente pra mim. Não sou prudente, nem coerente, nem uma só. Acredito que vivo, que dói e que deve passar.